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31.7.06

Vêm aí as eleições... E aí, em quem votar?

A pergunta que dá nome a este ponto de vista me aflige a cada dois anos. A cada processo eleitoral, o dilema me bate, incomoda, irrita. E olha que eu posso me considerar parte de uma elite, um privilegiado entre os cidadãos deste país! Sei ler, escrever e interpretar o que escrevo, logo, tenho certa capacidade de discernimento para tomar decisões.

O fato de ser este país um foco de pessoas despreparadas para eleger seus representantes preocupa muito. Afinal, há os que usam o voto como moeda de troca. Aproveitam-se de situações de penúria vividas pela população e compram o voto dos pobres eleitores, dando-lhes em troca comida, roupa, remédios e até dinheiro. Há casos até de mulheres que trocam o seu direito de escolha por ligaduras de trompa. Essas pobres pessoas, seres humanos abandonados pela sociedade, só são lembradas no período de eleição, quando têm para oferecer a sua única coisa valiosa, na visão de certos políticos: o seu voto. Esta é uma realidade da qual não podemos fugir.

Mas há outro problema, no meu modo de entender igual ou mais preocupante do que a situação que relatei acima: dá para confiar no discurso dos nossos políticos? Você, caro leitor, já deve saber a minha resposta. Antes das eleições, os políticos nos assediam com um discurso de paladinos da justiça, têm todas as soluções para os problemas do país. Vale dar santinho, distribuir camisetas e bonés, segurar criancinhas no colo e beijá-las, visitar nossas casas, freqüentar festas e velórios, prometer o impossível. Depois de eleitos, com a segurança da vida mansa já conquistada, o negócio é contratar uma secretária eficiente, que saiba “filtrar” aqueles que os incomodam a todo instante, ou seja, os eleitores: vale a desculpa esfarrapada de que o “deputado não está”, o “deputado está viajando”, o “deputado está no plenário”. Vale dizer que retorna a ligação e não retorna, vale tudo para se desvencilhar daqueles que os elegeram. Grande parte dos políticos brasileiros, quando assumem os cargos públicos que disputaram, muda de cara. Tomam posse, literalmente, não apenas do cargo a que aspiravam, mas também a tudo o que veio com esse cargo. É praxe em Brasília, verificar-se que muitos parlamentares que não se reelegem negociam a entrega de seus apartamentos e gabinetes em troca de emprego para alguns de seus funcionários e da compra de móveis e equipamentos de suas moradias, “estabelecendo um verdadeiro mercado negro no Congresso” (VAZ, 2005, p. 19). As verbas de gabinete, normalmente utilizadas para pagar os salários dos secretários parlamentares, são constantemente desviadas para fins diversos, escusos, que vão desde simples viagens de turismo até a contratação de jogadores de futebol. Há casos de deputados que possuem uma verba para contratar funcionários, mas exigem dos assessores que depositem parte de seu vencimento na conta do patrão.

Neste país, como gostam de enfatizar os próprios políticos, “de dimensões continentais”, cheio de discursos moralizantes e de idéias conservadoras, há homens e mulheres, elevados à condição de “representantes do povo”, envolvidos em tráfico de drogas, estelionato, tráfico de seres humanos, homicídio. Há de tudo entre os políticos brasileiros. Como situar as pessoas de bem que convivem lado a lado com tantos bandidos diariamente? Será que elas realmente conseguem permanecer do lado “do Bem”, sendo o homem um produto do meio, como constatou o alemão Friedrich Ratzel (1844-1904), no final do século XIX, em suas pesquisas realizadas na Europa, América do Norte e América Central? Fica difícil avaliar.

O político brasileiro, salvo raríssimas exceções, – raríssimas mesmo! – é construído a partir da ignorância e da boa fé do povo. O velho ditado de que “em terra de cego quem tem um olho é rei”, aplica-se perfeitamente à política de nosso país. Corta-se verba de educação e saúde, mas libera-se verba para comprar votos. É justificável: quanto mais ignorantes e pessoas doentes existirem, mais fácil eleger um político. Basta prometer aquilo a que o povo não tem acesso, e mais um picareta consegue – legitimamente, diga-se de passagem – um cargo público. Uma vez eleito, é só aprender a fazer discurso. Investe-se num cursinho de oratória, contratam-se assessores que saibam ler, escrever e barrar a entrada de eleitores nos gabinetes e tudo se resolve. Como se pode observar pelas coisas que acontecem nesse nosso sofrido país, há uma grande proliferação de políticos de má qualidade. A falta de educação do povo, no sentido amplo, gera a falta de conhecimento e do embasamento que, somados, ajudam a forjar o caráter do ser humano. A política brasileira, por sua vez, enquanto educação geral, perde mais uma batalha por causa da qualidade dos políticos: é reflexo da baixa qualidade educacional de seus membros, agravado também pela baixa qualidade moral e ética.

Mas, será que se pode generalizar que todo político é do Mal?Acho que não. Entretanto, como bom mineiro que sou, não ponho a mão no fogo por nenhum. As tentações são muito grandes. Os assédios de empresários e setores influentes da sociedade, com ofertas quase irrecusáveis, são enormes. A gente fica com a pulga a trás da orelha. Se ser político não fosse bom, ninguém aspiraria a nenhum cargo público. Vejo pessoas que se desentendem, fazem inimizades, famílias que se desestruturam, tudo em nome da política. Vejo pobretões históricos que, por algum desvio da natureza, entram na política e de lá não querem sair mais. Enriquecem. Vejo homens velhos que só têm uma aspiração: perpetuar-se na política, colocando no poder filhos e netos, numa sede de comando impressionante. Dominam municípios, estados, regiões inteiras, explorando a pobreza de uma maioria ignorante, que, inocentemente, se deixa iludir por promessas e algumas porções de comida que duram apenas um período eleitoral.

Pode haver políticos do Bem. Mas se existirem, podemos contar nos dedos. Devem ser muito, muito poucos. Como, entretanto, identificar essas pessoas? Pode um político perpetuar-se na política fazendo o Bem? Como não ser vítimas de eventuais surpresas, como as que tivemos durante o governo Lula?

Os velhos coronéis da política costumam “plantar” nos parlamentos seus filhos e netos para que seu poder se perpetue. Com efeito, o que se vê, não raras vezes, são verdadeiros moleques (no sentido de juventude), sem qualquer preparo técnico, mas que, por trazerem o cacife do nome ou sobrenome de seus pais e avós, conseguem espaço na mídia e explodem sua emoção juvenil em atos e palavras inconseqüentes. A psicologia mostra que a juventude é uma fase da vida das pessoas em que elas vivem um tipo de crise de identidade: não sabem bem se são adultos ou adolescentes. Talvez seja por isso que é tão comum se encontrar jovens de 20 anos “brincando” de corrida com seus carros e colocando em risco a vida de tanta gente. O mesmo acontece no ambiente político. Os “filhotes” das “raposas” parecem acreditar que apenas as malandragens que aprenderam com seus pais e avós são suficientes para eles brincarem de políticos. A sensação que passam é que a política, para eles, é como um palco onde eles vão dar vazão às suas grandes aventuras juvenis: vestem um terno de grife, passam uma brilhantina no cabelo e colocam seus rostos imaculados na frente das câmeras, criticando os adversários e tentando mostrar um conhecimento que não têm.

Essa situação, tão comum no cenário político brasileiro, faz com que nossa política republicana se assemelhe, como já disse, a uma monarquia, em que o cargo público é passado de pai para filho, como que para perpetuar uma dinastia. O Brasil parece ser um dos poucos países em que ser político se aproxima de uma profissão. Vemos, constantemente, políticos que são eleitos e reeleitos durante toda uma vida, mantendo-se no poder por períodos nunca inferiores a 30 anos. Trata-se de mais uma distorção, causada pelos padrões tupiniquins, à política. Como exemplo, temos os caciques do Nordeste, que exercem um poder de mando inquestionável, submetendo seus eleitores a uma espécie de escravidão disfarçada, não declarada, como se fossem senhores feudais.

Afinal, o que vemos no Brasil são mesmo verdadeiras “dinastias”, que passam o poder de pai para filho, como que a perpetuar os “maus produtos” da política. Mas, por que isto acontece no Brasil? Por que as pessoas reelegem grandes picaretas, indivíduos de qualidade questionável, que nunca pensam na coletividade, mas em interesses pessoais? A resposta parece estar clara. Porque as pessoas, grosso modo, são ignorantes. Sabem ler e escrever, combinar as letrinhas e os fonemas, mas não sabem interpretar o que lêem e o que escrevem. São, em bom português, analfabetos funcionais. Pelo menos 25% da população brasileira é composta dessas pessoas ou de analfabetos completos. Essa proporção é histórica. Some-se a isto, o fato de viverem em regime de miséria quase absoluta, sem terem o que comer, o que vestir, o que beber, condições mínimas para a sobrevivência. Uma população de miseráveis analfabetos é um maná para os maus políticos (que, infelizmente, parecem ser a maioria no cenário político brasileiro): um sanduíche aqui, uma balinha acolá, uma camiseta ali, um boné mais além e o voto está comprado. No dia da eleição, o político manda um caminhão ou um ônibus buscar seus eleitores e os levam ao seu reduto eleitoral para garantir um mandato novo. Há, no folclore político nacional a história daquele político que deu para cada um de seus eleitores o pé de uma botina. Só um pé. Somente se fosse eleito, daria o outro pé. Parece brincadeira e o leitor possivelmente até ria do fato. Mas este é o Brasil.

O Nordeste, aliás, é um manancial de situações políticas anômalas. A televisão mostra com freqüência casos absurdos como o de duas cidades vizinhas: em uma havia água em abundância porque, apesar da mesma situar-se em um local bastante árido, o prefeito era ligado a um cacique político da região, que cuidava do abastecimento de água com carros-pipa. Na outra, situada a apenas alguns quilômetros da primeira, havia uma grande escassez de água. Afinal, seu prefeito era da oposição ao cacique local, que impedia qualquer ação pública no sentido de abastecer a cidade. Há outros casos gritantes na região, acusada de criar o que se resolveu chamar de “indústria da seca”: políticos que se valem de seus prestígios para conseguir verbas para minimizar os impactos negativos causados pela seca nordestina e desviam essas verbas para outros fins. Durante o final dos anos 1970 e início dos anos 1980, por exemplo, a imprensa deu grande destaque ao chamado “escândalo da mandioca”, mais um caso de desvio de verbas, que deveriam ser aplicadas na plantação de mandioca por agricultores da região, mas que foram parar nas mãos de políticos inescrupulosos. Jamais me esquecerei de uma foto publicada em uma das edições da revista “Veja” da época, que mostrava o verdadeiro palácio de um político pernambucano, com água à vontade, piscinas e fontes, “plantado” no meio tristemente cinzento da caatinga, entre diversos tipos de cactos e mandacarus. Fora dos limites da mansão, várias pessoas passavam fome. Esse mesmo político, aliás, anos depois, responderia a um processo por manter empregados de suas fazendas em regime de semi-escravidão. É claro que o assunto não deu em nada. Acabou em pizza, como era praxe no Brasil do século XX e continua sendo no Brasil do século XXI. O mais curioso disso tudo é que esse político continua lá, na Câmara dos Deputados, sempre reeleito, como se nada disso tivesse importância. Coisas de Pindorama.
Mas o Nordeste é apenas um exemplo. Os políticos mineiros também são terríveis. Cometem os maiores absurdos em nome de seus mandatos. Desvios de verbas, financiamento de falcatruas, facilidades para familiares e correligionários, nepotismo, são somente alguns itens. O mesmo acontece com a política do Rio de Janeiro, em que muitos homens públicos são envolvidos com o tráfico de drogas, jogo do bicho e escândalos morais e financeiros. Os paulistas não admitem (embora às vezes tenham que engolir) que ninguém que não seja de São Paulo governe o país. Quando isso acontece, conspiram descaradamente, fazendo uma oposição irresponsável em muitas oportunidades. Geralmente são ligados a partidos fisiológicos da extrema direita, têm o “rabo preso” a grandes conglomerados empresariais, embora posem de social-democratas ou neoliberais. Aproveitam-se do fato de ser seu estado o pilar inquestionável da economia brasileira e querem impor seu estilo de vida à população. Acham-se superiores aos humildes mortais, mais ou menos como os políticos do sul em geral, com sua interminável sede separatista.

Notem, portanto, que a política brasileira ainda tem que ser bastante aprimorada. Os políticos brasileiros de minha geração e de gerações anteriores, deteriorados que estão, não poderão realizar uma mudança estrutural em nossa política. Sequer acredito que os filhotes das raposas também o consigam, pois aprenderam a exercitar a irresponsabilidade e o individualismo que herdaram de seus pais e avós. Em minha opinião, a política não pode ser dissociada do coletivo, da comunidade, do povo. Enquanto houver políticos legislando em causa própria, o Brasil não terá uma política de fato. Coloco estas reflexões porque acredito que entre as pessoas que lerão este ponto de vista estarão, espero, muitos jovens. Minha única esperança na política brasileira está nos jovens sérios de nosso país, que estudarão e aprenderão a prestar serviços em prol da sociedade, falarão a verdade, não se deixarão corromper e nem corromperão e terão um forte compromisso com o povo.

Ainda que não tenha qualquer respaldo técnico para defender meu ponto de vista, acredito firmemente que haverá um dia em que uma espécie de “consciência coletiva” tomará conta da população e ela não se deixará mais enganar por discursos bonitos, camisetas e bonés ou sanduíches de mortadela.

O HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO

O horário eleitoral gratuito é uma das aberrações que existem no sistema eleitoral brasileiro. São momentos diários em emissoras de rádio e TV, em que partidos e candidatos podem mostrar seus programas e pontos de vista para tentar convencer os eleitores a votarem neles. O problema com o horário eleitoral gratuito é que ele é um desrespeito ao eleitorado, pois interrompe as programações das rádios e televisões para submetê-lo a mensagens mal produzidas e a candidatos de péssima categoria: todos os vagabundos e picaretas do Brasil querem uma boquinha na política. Adoram apresentar-se como “líderes comunitários” (de quem, cara-pálida?). Como se não bastassem esses absurdos, o programa é um acinte às emissoras, pois prejudica seu faturamento. Como nem todos os partidos têm verba suficiente para produzir programas de boa qualidade, contratam empresas de fundo de quintal para fazê-lo, o que transforma o horário eleitoral gratuito muito mais em um programa de humor do que propriamente em algo útil, que pode exercer algum poder de convencimento no eleitor. Essa distorção, considerando o aspecto brincalhão de nosso povo, estimula a chacota e pode, inclusive, contribuir para a eleição de pessoas sem qualquer comprometimento político, como já houve (e continua havendo) tantos casos no Brasil. O povo vota em pessoas despreparadas, como uma forma de protesto contra a política vigente, sem se lembrar do velho ditado que diz que “o feitiço pode virar contra o feiticeiro”.

PELÉ E O VOTO

Pelé foi muito criticado quando, certa vez, afirmou que “o brasileiro não sabe votar”. Os jornalistas e os políticos se indignaram: “como pode um homem público de renome internacional falar tamanha besteira?”. A História, porém, tem mostrado que Pelé nunca esteve tão certo. O brasileiro não sabe mesmo votar. Este fato, entretanto, não é decorrente simplesmente da ignorância do povo, mas do ambiente em que vive o povo, preservado historicamente pelos grandes empresários, políticos, industriais e banqueiros de nosso país. Para esses homens ricos, manter o povo em situação de miséria é um grandenegócio. Deixar de investir em escolas para investir em viadutos desnecessários e obras faraônicas é interessante, gera lucro e mantém todos os corruptos no poder. Enquanto houver corruptos, haverá vantagens individuais. A máxima de Joãozinho Trinta de que “quem gosta de miséria é intelectual” se manifesta intensamente no ambiente político. No Brasil, salvo em raríssimas situações especiais, quem coloca os políticos no poder ou são os pobres (em sua maioria) ou os ricos. Estes, porque têm interesses comerciais e industriais. Aqueles porque são ignorantes do ponto de vista político e se deixam iludir por obras de grande impacto visual. Para os pobres, desdentados e sem perspectiva social, os bons políticos são os que realizam obras superficiais. É assim, infelizmente, o nosso povo.

QUEM TEM DINHEIRO GANHA ELEIÇÃO?

Não se pode responder a esta questão de maneira generalizada. Há (poucos) casos em que pessoas ricas perdem a eleição. Na maioria das vezes, entretanto, a resposta a esta indagação é sim. Já ouvi muitas vezes pessoas dizerem que se um sujeito é muito rico, suas chances de roubar são menores. O que é uma falácia. Os políticos brasileiros, historicamente têm mostrado que quanto mais ricos, mais querem para si e não têm escrúpulos em fazer do dinheiro público o patamar para aumentar ainda mais a sua riqueza e agregar valor à sua imagem. Há políticos que fazem, descaradamente, doações de terras públicas (isto quando não as exploram), empregam parentes com salários tentadores e abusam do poder.

Em minha terra, Caxambu, no sul de Minas Gerais, a política é assim. Os mais ricos monopolizam o comércio, a pequena indústria e, obviamente, a política. O poder deve ser interessante mesmo em uma cidade de aproximadamente 23 mil habitantes, pois, nos períodos eleitorais esses homens inescrupulosos fazem de tudo pelo poder. Gastam verdadeiras fortunas em carreatas, em churrascos, em passeatas, em “showmícios”, investem no provincianismo que grassa no local para se manterem em evidência. Vale tudo pelo poder. Se o dinheiro que eles gastam para se eleger fosse utilizado em obras públicas, poderiam ajudar muita gente. Mas o status, ainda que numa pequena cidade, fala mais alto.

Sabe-se que no Brasil os cidadãos estão cada vez mais votando em pessoas do que em legendas. Mas ainda assim, no interior principalmente, há os chamados “caciques políticos”, os “coronéis”, que se aproveitam da desgraça do povo para se impor. Há locais em que não há espaço para partidos com tendência progressista, simplesmente porque o “coronel” é quem determina o partido e o candidato em quem se deve votar. Como nem tudo está perdido, no entanto, em função do aumento do nível de esclarecimento da população e levando-se em conta que esses figurões estão se tornando relativamente raros, é sempre bom avaliar os partidos. No Brasil, desde o fim da ditadura militar, quando se reinstalou a democracia, o país tem sido governado por partidos fisiológicos, que favorecem o nepotismo e os interesses pessoais e prejudicam o bem-estar da sociedade.

Vêm aí as eleições, pessoal. Você já parou para pensar nisto?

1 Comments:

At 22:39, Rafael said...

Comentário Teste.

 

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